sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

"Sei pouco de história, de política, de literatura, de arte, de ciência, de filosofia, de religião, etc. Sei apenas o que colhi da experiência. Não confio nos homens que explicam a vida em termos de história, de economia, de arte, etc. São gente que nos engana, ao esgrimir com suas idéias abstratas. Creio que isso redunda na mais cruel decepção. No desejo de colocarmos as nossas esperanças de justiça numa instituição externa, numa forma de governo, numa ordem social, num sistema de direitos ideais. Leio todos os dias uma coisa ou outra sobre dialética marxista, como se o fato de não compreendermos esta algaravia fosse um indício de falta de inteligência no homem. Bem, devo confessar, e de boa vontade, que nunca li uma linha de Karl Marx. Nunca me senti tentado a lê-lo. E quanto mais escuto os seus discípulos mais compreendo que não perdi nada. Karl Marx, dizem eles, explica a estrutura da nossa sociedade capitalista. Não necessito de nenhuma explicação acerca da nossa sociedade capitalista. Que se lixe a sociedade capitalista! Que se lixe a sociedade comunista, a sociedade fascista e todas as outras sociedades! A sociedade é constituída por indivíduos. É o indivíduo que me interessa - não a sociedade." (Henry Miller, Carta aberta aos surrealistas de todo o mundo).
"Quando os símbolos através dos quais se relaciona com o Universo estão esgotados, o homem tem, por força, de descobrir outros novos, vitais, que o reintegrem no Universo. Este processo, de oscilação, é conhecido como macromicrocosmização do Universo. De acordo com a maneira em que o pêndulo possa oscilar, o homem tende a tornar-se, ele mesmo, Deus, ou mero drec. Atualmente, o mundo conhece tal  inflação que Deus se exauriu completamente. A exploração do inconsciente, que agora decorre, é uma confissão da falência do espírito. Quando quase alcançarmos o Absoluto, quando já não pudermos trabalhar nele, ou com ele, deixaremos entrar o ar... e estabeleceremos de novo um relativo equilíbrio..." (Henry Miller, Carta aberta aos surrealistas de todo o mundo).
Minha esperança dá-me asas, e ocasionalmente põe-me a voar para além dos limites mais baixos, onde me é permitido o vislumbre, ainda que à distancia, de horizontes dourados e inexplorados. Mas a cada voo sucede um pouso, e como que atraído por uma esmagadora força gravitacional, sou arrastado a uma superfície que, por vezes, já não oferece resistência, e então sou lançado diretamente ao Hades - e posto à prova. 
"Confrontação é crítica autêntica. Ela é a maneira suprema e única de apreciar verdadeiramente um pensador, pois assume sobre si a tarefa de repensar seu pensamento e persegui-lo em sua força atuante, não em suas fraquezas. E para que isso? Para que, por intermédio da confrontação, nós mesmos nos libertemos para o supremo esforço do pensamento." (Heidegger, Conferências sobre Nietzsche, vol. I).

A "boa nova" de Paulo e sua recepção pelos gregos

"Paulo discursando no Areópago: 'Não levando em conta os tempos de ignorância, Deus agora notifica aos homens que todos e em toda parte se arrependam, porque ele fixou um dia no qual julgará o mundo com justiça por meio do homem a quem designou, dando-lhe crédito diante de todos, ao ressuscitá-lo dentre os mortos.'
Ao ouvirem falar da ressurreição dos mortos, alguns começaram a zombar, enquanto outros diziam: a respeito disso te ouviremos outra vez." (Atos dos Apóstolos, cap. 17, vers. 30-32).

Nota: "O fracasso de Paulo em Atenas foi quase completo. Daí por diante, sua pregação rejeitará os ornamentos da sabedoria grega."