Volta e meia, a
sociedade chama seus membros para participar. Participar de uma missa, de um
torneio esportivo, de uma campanha de aquisição de agasalhos etc. Participação,
essa é a palavra de ordem. Porém, será que já paramos para pensar nessa tal
participação?
Interessante
reparar, antes de mais nada, que o ato de participar nunca é feito sozinho; não
é um ato isolado de alguém que não tem companhia, mas algo que fazemos com os
outros.
O solidário, que está sempre disposto a
participar, porta-se desta maneira: está em comunhão; vive ansioso pelo
encontro; faz questão de trocar as suas experiências de vida com os outros.
Sabe muito bem que viver é acima de tudo con-viver. O solidário é o companheiro; você já pensou sobre o
significado dessa palavra? Ela vem do latim, cum-panere, e significa algo mais ou menos como “aqueles que comem
juntos o pão da vida”. Logo, o companheiro, o solidário, é aquele que divide
sua vida com os outros, aquele para quem a vida não é apenas uma coexistência
com os outros, mas uma verdadeira convivência, um viver com os outros.
Mas há outros que
são diferentes: um indivíduo que está sempre em seu canto, não compartilha seus
desejos, suas emoções, seus pensamentos, enfim, sua vida com os outros. Pode-se
dizer que tal indivíduo é um marginalizado, não por que foi discriminado, mas
porque ele mesmo se isolou dos outros. Essa vivência à margem tem como
resultado a consideração de que o ser humano pode e, às vezes, até deve se
isolar dos demais. Mas como podemos fugir do encontro se, queiramos ou não,
estamos sempre partilhando uns com os outros?
O poeta inglês
John Donne começou um poema com o verso: “Homem algum é uma ilha.” Somos seres
sociais, “animais políticos” como já definiu Aristóteles há 2500 anos atrás, o
que nos leva a necessariamente tomar parte de grupos humanos, a viver nossa
vida junto a muitas outras pessoas iguais a nós. É por isso que, por mais que queiramos escapar, fugir para uma ilha
deserta, a sociedade está sempre atrás de nós. Até podemos nos isolar por
alguns instantes, mas, ao irmos para a escola, para o trabalho, para o clube,
para a igreja ou para qualquer outro lugar, estaremos encontrando pessoas,
estaremos participando de grupos
sociais.
O ato de
participar é uma condição humana da qual não podemos escapar. Quem pensa que
escapa, está iludindo a si mesmo.
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